
Parece-me uma tarefa quase impossível falar da vivência que vai acontecendo quando estou aí. Um porque quando a gente fala da coisa, muito se perde ou fica chapado, sem profundidade. Dois porque não vai caber no recadinho. É como tentar colocar a experiência total e abundante da cachoeirona aí num baldinho.... fica sem o movimento vivo do rio e das pedras e do passar. Então eu vou falar o que der, livremente, sem me preocupar de caber ou não no site, de ser adequado ou para o fim proposto. Vou falar para você, como se estivéssemos sentadas aí na terra, bebendo dessas forças todas que cercam esse lugar, felizes por sermos envolvidas por isso tudo. Olha, nem vou entrar muito nem essa parte física do hotel em si, da beleza natural dele, mas preciso falar que eu adoro o fato do conjunto das construções aí não se destacar do ambiente natural, ser bem proporcionado, de ficar assim integrado no verde, na terra; adoro a falta das coisas aí... não tem decoração artificial, não tem dedetização, não tem programação estimulante, a música é baixinha, de fundo, a sala de DVD é escondida, e não tem ambiente esportivo barulhento, parece pouca coisa mas sustentar um ambiente assim é um desafio enorme, envolve um trabalho constante de ir contra a correnteza do turismo fácil, de massa, e que daria mais lucro. A coisa aí tem esse diferencial ótimo, de aquietamento, e isso intensifica o impacto da natureza. Não vou falar também do ambiente humano acolhedor, da comida, das histórias, que isso deve ser bem colocado por outros hóspedes.... esse sentimento de estar totalmente à vontade, em casa, e fazendo parte de uma família maior que é a humanidade.
Vou me deter no banho da natureza.... essa hidratação interna que experimento aí como uma vitalização poderosa, como um tratamento de saúde em todos os níveis, algo irresistível. Não é à toa que ninguém me acha aí, nem eu sei onde vou estar. De uma forma não tão consciente a natureza (não domada, apenas cuidada, como é a sua postura neste lugar) faz um trabalho profundo de "afinar" nossos órgãos de percepção. É só sair descalça e andar no riozinho, e sentir a força dessa água, as pedras, as areias, e ficar exposta aos verdes, à luz..... ficar escutando o som das águas correndo.... os bichinhos..... que vai acontecendo uma decantação dentro.... Os problemas, desafios e encruzilhadas pessoais tomam sua devida proporção dentro da sinfonia maior da vivência com a natureza íntegra como ela está aí. Num mundo de exploração sem fim, dá um aperto no coração ver como estamos subjugando a natureza, ou usando-a para nos servir (como entretenimento, como decoração, como esporte, etc)....sem considerar que todos somos uma coisa só. Então é um bálsamo pra alma estar num lugar onde a natureza pode fluir sem ser amansada, dominada, onde não somos o centro, onde vamos descobrindo os pássaros, a vida das pequenas criaturas, a qualidade das pedras, enfim, onde todos nos irmanamos com alegria, descobrindo as riquezas dessa terra maravilhosa.
Não disse que não ia caber....????
Bjs Saudosos!!!
Raquel R. Fernandes